1776/1778 – As chuvas se tornaram escassas desde os primeiros meses do primeiro ano, mostrando efeitos massacrantes e estendeu-se durante três anos desastrosos. Trazendo grandes prejuízos aos fazendeiros.(16 pág.171).
1790/1793 – Foi uma desgraça por demais alongada, que deixou desfigurada toda a população existente, sendo resistida pelos nossos antepassados com o auxilio da divindade, houve perda de animais e de vida humana.
Foi neste momento criado pelo governador da Província Jeronymo José de Melo e Castro, “uma sociedade denominada Pia-sociedade-agrícola, com o fim de promover a agricultura, dar ocupação aos emigrados e socorrer com os lucros da lavoura os necessitados”. (16 pág.173).
1803/1804 – Ainda que não havendo muito tempo do sofrimento anterior, nossa área territorial absorveu esse momento com firmeza, talvez por resistência prévia.
1824/1825 – A falta de chuva que consequenciou a fome, teve um forte aliado para alastrar a sua tragédia, que foram os danos da revolução sertaneja.
“O folclore rimou a tradição desse imenso fogaréu”:
No sertão do Cariri
Havia um sapo casado
Na seca de 25
Quase que morre torrado (16, pág.175)”.
1844/1846 – Já tendo havido pequenas secas nesse entremeio, já no primeiro ano o flagelo nos atinge, e, os subsídios alimentícios não alcançaram o seu término, morreram escravos, crianças e pessoas do povo, mas, já no ano de 1846, foram socorridos pelos governantes com a distribuição de alimentos, quando já lhes faltava até a farinha.
1877/1879 - Em virtude das irregularidades do inverno nos anos de: 1851, 1853, 1860, 1865, 1866, 1869, 1870. Quando Piancó e outros municípios foram socorridos pelo administrador Dr. Silvino, chegara essa para a malvada sorte desses sertanejos. Foi denominada a “Grande Seca”, registrando em nosso calendário, como dias de flagelo. A pior de todas. Segundo jornalistas contemporâneos, muitas já houve, mas, nunca mais foi tão devastadora como a 125 anos, mais sempre deixou seu rastro horrendo: doenças e epidemias, enormes migrações, choro e desespero.
1888/1889 - Antes mesmo de uma recuperação total, reconstruída dia após dia, durante quase dez anos, ressurgiu o flagelo que desmorona os sonhos da nossa população. De todos os reservatórios particulares existentes no considerável município de Piancó, só restaram dois sem fendilhamento, e não foram em nossa região. Exigindo a abertura de cacimbas para saciar as necessidades maiores.
1900 – Desta vez, a população nem sequer teve tempo de analisar uma forma eficaz de se recompor dos prejuízos, pois, ainda não era assistenciada pelos governantes, o que aconteceu dessa vez, foi o revestimento de um flagelo novo, sobre um velho flagelo.
1903/1904 – Mais ou menos nos meados daquele ano, a seca já estava declarada, e o nível psicológico da maior parte do nosso povo, não resistira à presença de tanto tormento, muitos optaram pala fuga da realidade sofrida.
1907 - Essa fora por demais alarmante, mas a pequena população resistira sem desânimo. Deve ter havido uma proteção divina sobre esta terra.
1915 – Essa foi de grande repercussão em todo o nordeste, porém, a nossa população irmanou-se para uma ultrapassagem menos dolorosa.
1919 – Foi quando, segundo José Américo de Almeida, foram iniciadas as providencias governamentais mais amplas e sintéticas – Governo Epitácio Pessoa.
1931/1932 – Era Ministro da Viação e Obras Públicas – José Américo de Almeida – foram projetadas 30 obras de açudagem, empregando 220.000 operários emergenciais do Nordeste, entre eles nossos homens, deixando as suas famílias, deslocaram-se para as Frentes de Trabalho. Foi nesse momento, construída a estrada central de Patos a Piancó, pelos emergenciados. Quando deixaram a nossa cidade, fora da linha de acesso ao desenvolvimento, em conseqüência de divergências políticas internas.
1942 – Foram realizadas apenas medidas paliativas, mas, o nosso povo havia se preparado, resistindo-a com naturalidade.
1950/1953 – Uma horrenda e longa seca. Era Governador do nosso Estado, José Américo de Almeida, tomou medidas emergenciais. E, os nossos homens, juntamente com os de outras regiões do Vale, desmataram 66 quadros de brocas no Riacho Ferrado, área localizada, entre o Distrito Socorro e o município de Santana dos Garrotes.
1958 - Em virtude da anterior tão recente, se tornou a maior da década: fome, desemprego e desespero. Ao seu término, surgiu uma emergência paliativa amenizando parte dos sofrimentos. A nossa população executou as suas atividades, na Frente de Trabalho de Itaporanga.
1961/1962 – Nessa as soluções foram tardias por parte das autoridades. No entanto, surgira o Pau-de-arara – o caminhão que levava retirantes nordestinos, que eram praticamente vendidos (escravizados) para as fazendas do Goiás e Mato Grosso. Na nossa região teve presença discreta.
1966 - As nossas terras receberam mesmo com irregularidades algumas chuvas, porém não houve lucro de legumes, e apesar de ser a primeira seca, após a criação da SUDENE (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste – criada em 1959), não evitou, contudo, a fome e a emigração.
1970 – Nesta, surgiram os caminhões distribuindo alimentos aos emergenciados, os olhodaguenses foram para a Rodagem de Boqueirão dos Cochos (Igaracy), deixando a família e o rebanho, sob os cuidados das esposas e dos filhos menores.
Segundo meu Pai, o chefe da família só fazia uma visita a sua família entre 15 e 30 dias, mas tinha direito a uma assistência social mais qualificada.
1973 – Foi nessa seca que a população teve como arma de salvamento a Emergência Federal, tendo como execução, o asfalto da BR 361, que liga as cidades de Patos e Piancó.
1976 – Não foi muito devastadora, visto que, as nossas terras produziram parte da semente plantada. Mesmo assim, veio até nós um plano emergencial. Foi construído o açude para o abastecimento d’água da sede do município.
1983 – Essa ocupou espaço de calamidade em nosso calendário, principalmente em nossa pecuária, pois nesse momento fora registrado morte em nosso rebanho, devastação e todas as coisas que lhe são características foram trazidas por ela. Foi executada uma medida emergencial, administrada numa parceria, SUDENE e EMATER, quando além dos homens, algumas mulheres também tinham seus direitos, porém, obedecendo a critérios exigidos, e tendo o dever de exercer suas atividades nas Frentes de Trabalho. Em nosso município foi executada a construção de um Açude Comunitário no sítio Cabeça do Boi.
Foi esse o famoso momento dos papeis queimados registrado em nossa história, que por falta de informações seguras, me recuso em relatar o fato.
1985 – Tivemos a “seca cheia”, quando foram inundadas todas as nossas terras, foram destruídas várias casas na área urbana, as duas pontes sobre as passagens do Rio Jenipapo cortando a BR 361, e toda a nossa lavora, fora estragada com a duração das enchentes.
A partir desse ocorrido, as nossas terras não foram mais às mesmas, enquanto o agricultor esperava receber das cheias, a recomposição orgânica das suas várzeas, e as recebe com aterramentos que desorganizaram os elementos férteis do solo, daí a sua produção fora reduzida, segundo dados do IBGE, de outros órgãos competentes e informações de pessoas do município ligadas a este aspecto, o nosso rincão permaneceu por muito tempo, vivenciando o fenômeno da seca ano a ano, sendo alguns mais leves e outros mais pesados, porém todos destrutivos.
1993 – Tivemos o castigo de pequenas secas anteriores, e nesse ano a fome assolara mais uma vez o município. Foi nesse momento, em que vivemos uma verdadeira falta d’água, que castigara mais acentuadamente os animais. Olho D’água, que já contava com poucas fazendas, mas quase todos os seus habitantes eram pequenos criadores. Registrara grande tristeza. Do maior criador, restou pequena parte do seu rebanho, porém, o menor perdera até a vaca leiteira, a qual alimentava seus filhos menores, e teve momentos de desespero. Resistimos por obra divina e, hoje, temos como registro de um passado, com a graça de Deus.